   Anticristo, de Lars von Trier (Antichrist, Dinamarca/Alemanha/França/Polônia/Itália/Suécia, 2009).
Inquieto, transgressor, original e muitas vezes brilhante são alguns adjetivos que podem ser aplicados ao diretor dinamarquês Lars von Trier. O cineasta tem, contudo, momentos pífios no cinema - caso, por exemplo, do filme anterior, O Grande Chefe (2006). Mas, na maioria das vezes, revela-se ousado como em Os Idiotas (1998) e Dogville (2003). Seu novo petardo, que provocou polêmica no Festival de Cannes, é capaz de dividir plateias. Von Trier não abre mão de cenas chocantes (incluindo mutilação genital, sexo explícito e violência desconcertante) para que se embarque em seu drama psicológico de tintas aterrorizantes. Em sublime prólogo em preto e branco, Von Trier flagra a intimidade de um casal (papéis de Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, premiada melhor atriz no Festival de Cannes) e, em seguida, mostra a trágica e acidental morte do filho deles. Como o marido é terapeuta, ele decide tratar da mulher, que sofre de crises de angústia, ansiedade e depressão. Isolados numa casa no meio da floresta, os dois dão início a jogos psicológicos. Não há respostas fáceis nesta hipnótica sessão de análise que traz enigmas e simbologias a ser decifrados pelo espectador - e eis aí um dos maiores méritos deste belíssimo trabalho de significados plurais (104min).
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