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<h1>Mão de obra escrava</h1>
<p>Antes da Lei Áurea, promulgada em 1888, de cada dez casas paulistas oito não tinham escravos. Metade dos negros de 40 anos eram casados na Igreja Católica. E muitos negors alforriados compravam outros ainda escravizados. Constatações com essas estão no livro <i>Escravismo em São Paulo e Minas Gerais</i>, lançado pelos pesquisadores Francisco Vidal Luna e Iraci del Nero da Costa, da USP, e Herbert Klein, da universidade americana Stanford. Nas 624 páginas há artigos, ilustrações e fotos como esta, de Marc Ferrez, feita entre 1881 e 1886. <i>Ela mostra a participação da mão de obra escrava quando o café era o produto de maior expressão nas exportações de São Paulo</i>, diz Costa.</p>

<h1>A primeira “multidão” fotografada</h1>
<p> Nesta imagem, de 1862, estão reunidas cerca de 300 pessoas. É a maior multidão fotografada até então em São Paulo. Os paulistanos se concentraram no Largo do Palácio (atual Pátio do Colégio) para ver o desfile da polícia da província. A cidade tinha, na época, menos de 25 000 habitantes e 120 ruas. O autor da foto, Militão Augusto de Azevedo (1837-1905), tornou-se fotógrafo depois de desistir de ser cantor de ópera. O registro está no livro <em>Os Fotógrafos do Império</em>, de Bia e Pedro Corrêa do Lago, da editora Capivara.</p>

<h1>A alegria dos estudantes de direito<br />
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<p>Durante os doze anos em que viveu em São Paulo – ele chegou aqui em 1893 –, o pintor italiano Antonio Ferrigno (1863-1940) dedicou-se a retratar cenas da ainda bucólica cidade, como as lavadeiras no Rio Tamanduateí. "Os estudantes de direito do Largo São Francisco não davam sossego a essas mulheres", conta o historiador e arquiteto Benedito Lima de Toledo. "Ficavam à espreita esperando que elas levantassem a saia para entrar no rio." O óleo sobre tela reproduzido ao lado é uma das 44 obras, de dezoito artistas, que aparecem no livro <em>Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX – Coleção Bovespa</em>, editado pela Pinakotheke.<br />
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<h1>Homem do café<br />
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<p>Quando o alfaiate Emilio Mencarini (acima, de chapéu) trocou a Itália pelo Brasil, decidiu mudar também de profissão. Em 1890, ele abriu o Café do Jardim, na Avenida Tiradentes, em frente ao Parque da Luz. "Ele tinha uma carrocinha puxada por um burro para entregar o café em pó nos armazéns da cidade", conta seu neto Renato Mencarini. A empresa, rebatizada de Café Jardim, mudou três vezes de endereço. Funcionou na Avenida do Estado, na Rua Lavapés e, desde 1972, está na Vila Maria. Há dez anos, a família Mencarini vendeu a marca a um grupo de empresários.<br />
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<h1>Charles Miller</h1>
<p>Nascido no Brás, em 1874, aos 9 anos Charles Miller foi estudar na Inglaterra. Quando retornou a São Paulo, em 1894, trouxe com ele uma bola de couro e um livrinho com dezesseis regras de um jogo que havia sido inventado na terra de seus antepassados: o futebol. Como funcionário da ferrovia São Paulo Railway Company, ele organizou, em abril do ano seguinte, a primeira partida do esporte no país. Seus colegas de trabalho enfrentaram um time formado pelos empregados da companhia de gás. Venceram por 4 a 2, com dois gols anotados por Miller (no detalhe, em foto da época). O jogo aconteceu em um campinho improvisado, na região mostrada na tela Inundação da Várzea do Carmo, pintada em 1892 por Benedito Calixto. 'Antes de a bola rolar, eles precisaram tocar os burros que pastavam por ali', conta a dramaturga e atriz Graça Berman, co-autora da peça Nos Campos de Piratininga, que terá uma leitura dramatizada na quarta (28), no Museu da Língua Portuguesa.</p>

<h1>Cemitério da Consolação </h1>
<p>Quem for ao Cemitério da Consolação neste domingo (2), Dia de Finados, receberá um folheto e um guia de visitação. Criados em homenagem aos 150 anos que a necrópole completa em 2008 (a foto acima é de 1898), eles indicam onde estão algumas das esculturas de Victor Brecheret e os mais famosos dos 8 200 túmulos locais, como os do escritor Monteiro Lobato, da marquesa de Santos e do milagreiro popular Antoninho da Rocha Marmo. 'Queremos que os paulistanos conheçam melhor esse grande parque temático', afirma o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. 'Uma visita proporciona lições de história e arte, além de trazer paz e sossego.'

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